Herpes genital tem cura? Como a imunoterapia tem se mostrado eficaz na herpes de repetição

18 de fevereiro de 2026

Uma das perguntas mais comuns no consultório é: herpes genital tem cura?


A resposta direta é não. O vírus herpes simples (HSV) permanece no organismo após a infecção inicial. No entanto, isso não significa que a pessoa terá crises frequentes ou que não exista controle eficaz.


Hoje sabemos que o herpes genital é uma infecção crônica, com períodos de latência e reativação.


O que determina a frequência das crises está diretamente relacionado ao equilíbrio do sistema imunológico.


Por isso, além do tratamento antiviral tradicional, estratégias voltadas à imunidade, como a imunoterapia, vêm ganhando destaque.


Neste artigo, você vai entender por que o herpes não tem cura definitiva, como funciona a reativação viral e como a imunoterapia pode ser uma aliada importante nos casos de herpes de repetição.


O que é herpes genital


O herpes genital é causado pelo Vírus Herpes Simples, principalmente o tipo 2 (HSV-2), embora o tipo 1 (HSV-1) também possa estar envolvido.


Trata-se de uma infecção infectocontagiosa, transmitida predominantemente por contato sexual. O período de incubação varia de 1 a 26 dias, com média de 7 dias após a exposição.


Herpes genital tem cura? Entenda por que o vírus permanece no organismo, como ocorrem as recidivas e como a imunoterapia pode ajudar na herpes de repetição.


Após a infecção inicial, o vírus migra pelos nervos sensitivos até os gânglios nervosos, onde permanece em estado de latência. Nesse período, ele não produz sintomas, mas continua presente no organismo.


De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o herpes genital é a principal causa de úlcera genital no mundo, sendo uma condição de alta prevalência tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.


Herpes genital tem cura?


Não existe cura definitiva porque o vírus não é eliminado do organismo. Ele permanece “adormecido” nos gânglios nervosos e pode ser reativado em determinadas situações.


A boa notícia é que existe controle.


Com acompanhamento médico adequado, tratamento antiviral e fortalecimento do sistema imunológico, é possível reduzir drasticamente a frequência e intensidade das crises.


Por que o herpes volta? A relação com imunidade baixa


O HSV apresenta uma característica biológica única: a capacidade de latência e reativação.


A reativação ocorre quando o sistema imunológico sofre algum desequilíbrio. Entre os principais fatores desencadeantes estão:

  • Estresse psicológico
  • Fadiga intensa
  • Privação de sono
  • Período menstrual
  • Doenças febris
  • Uso de corticoides
  • Imunossupressão
  • Traumas locais


Ou seja, a herpes de repetição está fortemente associada à imunidade baixa.


Quanto mais grave foi a infecção primária, maior pode ser a tendência a recorrências.


Herpes genital e HIV: uma associação importante


A infecção pelo HSV-2 está associada a um risco duas a três vezes maior de aquisição do HIV.


Além disso:

  • Pacientes HIV positivos apresentam crises mais frequentes e graves
  • As lesões podem ser extensas e de difícil cicatrização
  • Pode haver formas clínicas atípicas


Essa associação reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.


Sintomas da primoinfecção e das recorrências


Primoinfecção

Pode incluir:

  • Febre
  • Mal-estar
  • Adenopatia inguinal
  • Vesículas dolorosas na vulva, vagina ou colo uterino


As lesões evoluem para úlceras e geralmente cicatrizam em 2 a 6 semanas.


Recorrências

Costumam ser mais leves e precedidas por sintomas pródromos:

  • Ardor
  • Sensação de formigamento
  • Dor localizada


As lesões tendem a durar menos tempo do que no primeiro episódio.


Tratamento convencional


O tratamento do herpes genital tem como objetivos:

  • Reduzir a duração dos sintomas
  • Diminuir a intensidade das lesões
  • Prevenir complicações
  • Reduzir transmissão


Os antivirais mais utilizados são:

  • Aciclovir
  • Valaciclovir
  • Fanciclovir


A terapia supressiva diária pode reduzir as recorrências em até 70–80%.


Como a imunoterapia tem se mostrado eficaz na herpes de repetição


Nos casos de herpes recorrente, especialmente quando associada à imunidade baixa, a imunoterapia surge como estratégia complementar.


A imunoterapia atua estimulando o sistema imunológico para melhorar o controle viral. Diferentemente do antiviral, que bloqueia a replicação do vírus durante a crise, a imunoterapia busca reduzir a frequência das reativações.


Alguns benefícios observados incluem:

  • Redução do número de crises por ano
  • Intervalos maiores entre episódios
  • Lesões menos intensas
  • Recuperação mais rápida


Imunomoduladores como o Imiquimod, por exemplo, estimulam a produção de interferon-alfa e fortalecem a resposta imune local.


Embora não elimine o vírus, a imunoterapia pode transformar completamente o padrão de recorrência em pacientes selecionados.


Herpes na gestação


A transmissão neonatal é mais elevada quando a infecção é adquirida próximo ao parto.


O tratamento supressivo com Aciclovir a partir de 36 semanas pode reduzir a recorrência de lesões no momento do parto.


Quando há lesão ativa no início do trabalho de parto, a cesariana é indicada para reduzir o risco de transmissão ao recém-nascido.


Conclusão


Herpes genital tem cura? Ainda não.


No entanto, o controle da doença evoluiu significativamente. Com tratamento antiviral adequado, medidas preventivas e estratégias de fortalecimento imunológico, como a imunoterapia, é possível reduzir crises e manter excelente qualidade de vida.


A chave está na avaliação individualizada e no acompanhamento médico regular.

Dra. Caroline Magnani

Ginecologista Especialista em Cirurgias Íntimas e Tratamentos Íntimos com Laser de CO2 e Sexóloga

CRMSP 152341 | RQE 68862 | TEGO 852017

  • Formada em Medicina pelo Centro Universitário de Araraquara (UNIARA)​;
  • Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Pérola Byington, São Paulo; 
  • Pós-Graduada em Sexologia Clínica pelo Instituto Brasileiro de Ciências Médicas Juscelino Kubitschek;
  • Pós-Graduação em Medicina Fetal e Ultrassonografia pela Unidade de Ultra-Sonografia e Medicina Fetal (CONCEPTUS), São Paulo;
  • Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo);
  • Pós-graduada em Estética Íntima e Rejuvenescimento Vaginal com Laser de CO2 pela Brazilian Genital Beautification​ (BGB), São Paulo;
  • Pós-graduada em Cirurgia Avançada com Laser de CO2 pela Brazilian College Laser Sculpture, Brasília;
  • Pós-graduada em Cirurgia Íntima e Correção com Laser de CO2 pela Associação Brasileira de Cometoginecologia (ABCGIN), Salvador;
  • Mentoria Vip Hands On em Clitoroplastia (Redução do Clitóris) com Laser de CO2 (ABGREF), Salvador;
  • Habilitada pela Polish Academy of Plastic and Aesthetic Gynecology para Cirurgia de Grandes e Pequenos Lábios: Labia Minora Plasty with the Dewedge Technique e em Labia Majora Double Hockey Stick Technique;
  • Membro Titular da Associação Brasileira de Cometoginecologia (ABCGIN);
  • Membro Titular da Associação Brazilian College Laser Sculpture (BCLS);
QUERO AGENDAR CONSULTA
Labioplastia em adolescentes - o que os pais precisam saber sobre hipertrofia dos pequenos lábios
Por Dra. Caroline Magnani 18 de fevereiro de 2026
Labioplastia em adolescentes: entenda o que é hipertrofia dos pequenos lábios, quando a cirurgia íntima pode ser indicada e se o procedimento afeta o hímen ou a virgindade.
Depois do Carnaval Descobri Herpes - O Que Pode Ser e O Que Fazer Agora
Por Dra. Caroline Magnani 17 de fevereiro de 2026
Descobri herpes depois do Carnaval? Entenda o que pode ser, quais são os sintomas, como confirmar o diagnóstico e o que fazer nos primeiros sinais.
Herpes genital de repetição e imunidade baixa - 11 verdades importantes que você precisa saber
Por Dra. Caroline Magnani 17 de fevereiro de 2026
Herpes genital de repetição e imunidade baixa: entenda por que as crises retornam, como fortalecer a imunidade e quais tratamentos ajudam a controlar o vírus.
Mais Educativos