Herpes genital tem cura? Como a imunoterapia tem se mostrado eficaz na herpes de repetição
Uma das perguntas mais comuns no consultório é: herpes genital tem cura?
A resposta direta é não. O vírus herpes simples (HSV) permanece no organismo após a infecção inicial. No entanto, isso não significa que a pessoa terá crises frequentes ou que não exista controle eficaz.
Hoje sabemos que o herpes genital é uma infecção crônica, com períodos de latência e reativação.
O que determina a frequência das crises está diretamente relacionado ao equilíbrio do sistema imunológico.
Por isso, além do tratamento antiviral tradicional, estratégias voltadas à imunidade, como a imunoterapia, vêm ganhando destaque.
Neste artigo, você vai entender por que o herpes não tem cura definitiva, como funciona a reativação viral e como a imunoterapia pode ser uma aliada importante nos casos de herpes de repetição.
O que é herpes genital
O herpes genital é causado pelo Vírus Herpes Simples, principalmente o tipo 2 (HSV-2), embora o tipo 1 (HSV-1) também possa estar envolvido.
Trata-se de uma infecção infectocontagiosa, transmitida predominantemente por contato sexual. O período de incubação varia de 1 a 26 dias, com média de 7 dias após a exposição.

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Após a infecção inicial, o vírus migra pelos nervos sensitivos até os gânglios nervosos, onde permanece em estado de latência. Nesse período, ele não produz sintomas, mas continua presente no organismo.
De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o herpes genital é a principal causa de úlcera genital no mundo, sendo uma condição de alta prevalência tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.
Herpes genital tem cura?
Não existe cura definitiva porque o vírus não é eliminado do organismo. Ele permanece “adormecido” nos gânglios nervosos e pode ser reativado em determinadas situações.
A boa notícia é que existe controle.
Com acompanhamento médico adequado, tratamento antiviral e fortalecimento do sistema imunológico, é possível reduzir drasticamente a frequência e intensidade das crises.
Por que o herpes volta? A relação com imunidade baixa
O HSV apresenta uma característica biológica única: a capacidade de latência e reativação.
A reativação ocorre quando o sistema imunológico sofre algum desequilíbrio. Entre os principais fatores desencadeantes estão:
- Estresse psicológico
- Fadiga intensa
- Privação de sono
- Período menstrual
- Doenças febris
- Uso de corticoides
- Imunossupressão
- Traumas locais
Ou seja, a herpes de repetição está fortemente associada à imunidade baixa.
Quanto mais grave foi a infecção primária, maior pode ser a tendência a recorrências.
Herpes genital e HIV: uma associação importante
A infecção pelo HSV-2 está associada a um risco duas a três vezes maior de aquisição do HIV.
Além disso:
- Pacientes HIV positivos apresentam crises mais frequentes e graves
- As lesões podem ser extensas e de difícil cicatrização
- Pode haver formas clínicas atípicas
Essa associação reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Sintomas da primoinfecção e das recorrências
Primoinfecção
Pode incluir:
- Febre
- Mal-estar
- Adenopatia inguinal
- Vesículas dolorosas na vulva, vagina ou colo uterino
As lesões evoluem para úlceras e geralmente cicatrizam em 2 a 6 semanas.
Recorrências
Costumam ser mais leves e precedidas por sintomas pródromos:
- Ardor
- Sensação de formigamento
- Dor localizada
As lesões tendem a durar menos tempo do que no primeiro episódio.
Tratamento convencional
O tratamento do herpes genital tem como objetivos:
- Reduzir a duração dos sintomas
- Diminuir a intensidade das lesões
- Prevenir complicações
- Reduzir transmissão
Os antivirais mais utilizados são:
- Aciclovir
- Valaciclovir
- Fanciclovir
A terapia supressiva diária pode reduzir as recorrências em até 70–80%.
Como a imunoterapia tem se mostrado eficaz na herpes de repetição
Nos casos de herpes recorrente, especialmente quando associada à imunidade baixa, a imunoterapia surge como estratégia complementar.
A imunoterapia atua estimulando o sistema imunológico para melhorar o controle viral. Diferentemente do antiviral, que bloqueia a replicação do vírus durante a crise, a imunoterapia busca reduzir a frequência das reativações.
Alguns benefícios observados incluem:
- Redução do número de crises por ano
- Intervalos maiores entre episódios
- Lesões menos intensas
- Recuperação mais rápida
Imunomoduladores como o Imiquimod, por exemplo, estimulam a produção de interferon-alfa e fortalecem a resposta imune local.
Embora não elimine o vírus, a imunoterapia pode transformar completamente o padrão de recorrência em pacientes selecionados.
Herpes na gestação
A transmissão neonatal é mais elevada quando a infecção é adquirida próximo ao parto.
O tratamento supressivo com Aciclovir a partir de 36 semanas pode reduzir a recorrência de lesões no momento do parto.
Quando há lesão ativa no início do trabalho de parto, a cesariana é indicada para reduzir o risco de transmissão ao recém-nascido.
Conclusão
Herpes genital tem cura? Ainda não.
No entanto, o controle da doença evoluiu significativamente. Com tratamento antiviral adequado, medidas preventivas e estratégias de fortalecimento imunológico, como a imunoterapia, é possível reduzir crises e manter excelente qualidade de vida.
A chave está na avaliação individualizada e no acompanhamento médico regular.
Dra. Caroline Magnani
Ginecologista Especialista em Cirurgias Íntimas e Tratamentos Íntimos com Laser de CO2 e Sexóloga
CRMSP 152341 | RQE 68862 | TEGO 852017
- Formada em Medicina pelo Centro Universitário de Araraquara (UNIARA);
- Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Pérola Byington, São Paulo;
- Pós-Graduada em Sexologia Clínica pelo Instituto Brasileiro de Ciências Médicas Juscelino Kubitschek;
- Pós-Graduação em Medicina Fetal e Ultrassonografia pela Unidade de Ultra-Sonografia e Medicina Fetal (CONCEPTUS), São Paulo;
- Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo);
- Pós-graduada em Estética Íntima e Rejuvenescimento Vaginal com Laser de CO2 pela Brazilian Genital Beautification (BGB), São Paulo;
- Pós-graduada em Cirurgia Avançada com Laser de CO2 pela Brazilian College Laser Sculpture, Brasília;
- Pós-graduada em Cirurgia Íntima e Correção com Laser de CO2 pela Associação Brasileira de Cometoginecologia (ABCGIN), Salvador;
- Mentoria Vip Hands On em Clitoroplastia (Redução do Clitóris) com Laser de CO2 (ABGREF), Salvador;
- Habilitada pela Polish Academy of Plastic and Aesthetic Gynecology para Cirurgia de Grandes e Pequenos Lábios: Labia Minora Plasty with the Dewedge Technique e em Labia Majora Double Hockey Stick Technique;
- Membro Titular da Associação Brasileira de Cometoginecologia (ABCGIN);
- Membro Titular da Associação Brazilian College Laser Sculpture (BCLS);




